
Magistrados realizam visitação externa no curso de Equidade Racial e Poder Judiciário
O curso “Equidade Racial e o Poder Judiciário”, promovido pela Escola da Magistratura Regional Federal da 2ª Região (Emarf), segue avançando em sua proposta de formação crítica e sensível às questões raciais no âmbito institucional.
Na última sexta-feira (20/03), os participantes realizaram uma atividade de campo com visitação a importantes espaços de memória e cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro. A programação incluiu o Cais do Valongo, o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e o Museu da República.
Conduzido pelo juiz federal Carlos Adriano Bandeira, o encontro reuniu 54 participantes, magistrados da Justiça Federal da 2ª Região, que puderam aprofundar o conhecimento sobre a herança histórica da escravidão no Brasil e suas repercussões contemporâneas.

Visitação ao Cais do Valongo
Durante a visita ao Cais do Valongo e ao Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, puderam conhecer uma vasta coleção arqueológica associada à diáspora africana, além de percorrer a “Pequena África”, área abrangida pelos bairros Saúde, Gamboa e Santo Cristo, na zona portuária do Rio de Janeiro, sendo um ponto turístico que celebra a ancestralidade e a resistência da população negra.
No mesmo dia, os participantes foram recebidos no Museu da República para conhecer o acervo Nosso Sagrado, com a exibição inicial do curta “Respeita Nosso Sagrado”, dirigido por Fernando Sousa e Gabriel Lima. O filme registra o processo de transferência do acervo de 519 objetos sagrados do candomblé e da umbanda para o Museu da República, em 2020, ouvindo as principais lideranças envolvidas.
Depois da exibição, o grupo foi dividido em subgrupos rotativos. No Espaço Educação, a historiadora Maria Helena Versiani, do Núcleo de Acervos Arquivísticos e Bibliográficos, fez uma breve apresentação sobre a dimensão do acervo de 500 peças, o período histórico dessas apreensões (1890/1946), a reprodução de jornais com manchetes de época sobre apreensões e intervenções policiais, e uma reflexão sobre a política repressiva na 1ª metade do século XX.

Apresentação do acervo Nosso Sagrado ao grupo de magistrados
O outro grupo foi conduzido para a Reserva Técnica do museu, sendo recepcionados por Tata Songhele (Associação Espírita Senhor do Bonfim Oxalá Kupapa Unsaba/Bate Folha), pelo Ogam Marcos Aurélio (Ilê Omon Oya Legy) e pelo museólogo André Angulo, chefe do Núcleo de Acervos Museológicos, que apresentou a reserva técnica como espaço de cuidado institucional, em contraste com as condições em que o acervo esteve por décadas na Polícia Civil.
Na atividade de encerramento, foram abordados temas como: o impacto, para as comunidades de terreiro, de terem seus objetos sagrados tratados como provas de crime; a gestão compartilhada como modelo de política pública; além de refletirem sobre o racismo religioso e as expectativas das lideranças quanto à atuação do Estado na proteção da liberdade religiosa.
Como formadores, integram o curso a juíza federal Fernanda Ribeiro Pinto e os juízes federais Carlos Adriano Bandeira e Fábio César Oliveira. Essa capacitação promove não apenas o conhecimento teórico, mas também experiências práticas que incentivam a construção de um Judiciário mais inclusivo e comprometido com a promoção da equidade racial.

Visitação de magistrados na Pequena África
Fonte: Com informações da Seção de Comunicação do Museu da República
Sobre o curso “Equidade Racial e Poder Judiciário”
O curso, promovido pela Emarf, tem continuidade até o dia 27 de março, apresentando a seguinte programação:
25 de março – 9h às 13h, Zoom: A pessoa negra durante a formação do Estado Brasileiro. Raça. As diversas formas de racismo no Brasil. Colorismo. Branquitude. Conceitos e princípios fundamentais. Palestrante: Juíza Federal Fernanda Ribeiro Pinto
26 de março – 9h às 13h, Zoom: Desigualdades raciais no Brasil. Sistematização de dados. Palestrante: Juiz Federal Carlos Adriano Bandeira
27 de março – 9h às 13h, Zoom: Direitos e relações raciais. Poder Judiciário e tutela da equidade racial. Atuação de juízas e juízes. Aplicação da legislação e jurisprudência. Questões raciais por ramos específicos da Justiça. Palestrante: Juiz Federal Fábio César Oliveira
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